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A greve é instrumento legítimo dos trabalhadores, mas deve ser utilizado apenas no momento máximo do litígio entre empregador e empregado. Não é coisa corriqueira, que se faça todo ano ou mais de uma vez por ano, sem qualquer conseqüência financeira ou trabalhista. Ainda mais se somos responsáveis por um serviço público essencial, se a Carta Magna nos exige a responsabilidade de manter o serviço postal, o que permite uma área de reserva estabelecida por Lei. Mais ainda quando acabamos de sair de uma ratificação no Judiciário desses direitos que, antes de todo o resto, nos trazem deveres para com a sociedade brasileira.
É neste cenário claro e óbvio que se sucedem as greves (por atitudes nefastas da Diretoria da Empresa). A mesma Diretoria que coloca no cargo maior de negociador trabalhista, como representante do empregador, o ex-secretário-geral da FENTECT.
O dirigente maior de todo o movimento sindical na ECT é hoje o negociador pela parte do capital. As disputas políticas internas e intrínsecas ao movimento sindical - hoje estampadas em alguns jornais - são conhecidas. Mas não podem nos levar à inversões de papéis. Não podem nos levar a erros que sacrifiquem toda uma Empresa, construída durante longos anos, com o esforço de muitos trabalhadores comprometidos.
Estamos aqui declarando a inconseqüência da deliberação por uma greve neste momento. Estamos aqui cobrando da Direção da ECT todos os esforços para um acordo justo; mas, também, uma posição firme quanto aos desdobramentos financeiros desse movimento paredista, sob pena de podermos entender como má gestão do dinheiro público.
Estamos aqui a cobrar de nossos companheiros ecetistas a responsabilidade perante a sociedade e perante a perenidade de seus empregos.
O Governo acaba de nos apresentar o relatório que deverá levar à modernização dos Correios. Tivemos, a ADCAP e a FENTECT, oportunidade de apresentar ao Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) as nossas expectativas e demandas, em 28/04/2009. É preciso dizer que a FENTECT não apresentou nenhuma proposta. Ainda ontem o Exmo. Sr. Ministro das Comunicações apresentava na Câmara dos Deputados os resultados desses trabalhos. O próprio relatório nos foi repassado e, de modo responsável, não podemos tecer críticas. Ao contrário, muitas propostas que os comprometidos empregados da ECT apresentaram, através da ADCAP NACIONAL, como necessárias ao desenvolvimento dos Correios, integra o trabalho do GTI.
Então, no momento em que o Judiciário (STF), a sociedade e o Estado depositam em nosso trabalho a confiança e o apoio de que precisamos, nós respondemos com GREVE? Devemos lembrar que na greve passada, os nossos concorrentes receberam autorização para realizar temporariamente serviços afetos ao monopólio.
Colocamos para negociar, pela Empresa, pelo Estado, o dirigente sindical que atuou nas anteriores greves? Ensinamos o caminho da greve ao não cobrarmos responsabilidades pelos dias parados? Não! Este não é o caminho!
Devemos lembrar que ainda que o Governo venha a formular Medidas Provisórias para a modernização dos Correios, será preciso aprovação do Congresso Nacional, onde, aliás, ainda há Projeto de Lei contrário aos interesses da sociedade e da ECT.
Prezados companheiros ecetistas, pais de família e trabalhadores como todos nós, a ADCAP NACIONAL pretende deixar clara sua posição, de que a greve não pode ser uma decisão imatura (por parte de quem apenas participa dela) e irresponsável (por parte dos que decidem, focados apenas em interesses pessoais) que possa até trazer ganhos imediatos, mas que promova severos e irreparáveis prejuízos futuros.
A demora da Diretoria da Empresa em atender às demandas é fato gerador de muitos dos problemas que os Correios enfrentam hoje, inclusive em relação à negociação. Avaliamos que estas atitudes conflitam com a política do governo para a ECT, expressa nas palavras e na postura firme do nosso Ministro Hélio Costa, pelo fortalecimento dos Correios.
Atenciosamente,
Diretoria Executiva
ADCAP NACIONAL.