20 de Junho de 2006
Confira abaixo as últimas notícias


Monopólio Postal

Defendemos o monopólio mas insistimos em agir como uma empresa privada, seja na relação com o corpo de empregados, seja na relação com a própria sociedade

A discussão em torno do monopólio postal não se arrefecerá, ainda que consolidemos a vitória no julgamento ainda pendente no STF. Isto por que não temos tido, como Empresa, a capacidade de responder a uma única pergunta: o que significa ser uma empresa pública de Correios?

Defendemos o monopólio mas insistimos em agir como uma empresa privada, seja na relação com o corpo de empregados, seja na relação com a própria sociedade. As inúmeras comunidades desprovidas de um atendimento de correios decente, a grande parcela da população que ainda não sabe o que é ter direito a distribuição domiciliaria e os muitos empregados afastados por doença profissional que o digam.

O uso do efeito "CPMI dos Correios" é apenas uma das muitas estratégias conhecidas desde que o escândalo foi detonado. Há um forte interesse econômico neste segmento que não deixará de discutir nossa privatização.

Neste contexto, falar-se apenas em credibilidade e confiança junto ao público usuário, como tem feito a ECT, como uma bandeira única em defesa da iniciativa estatal, é insistir em um tipo de argumento que já não comove mais a nossa sociedade. Veja o exemplo da Telemig estatal, transformada em Telemar e em Telemig Celular privadas. Encontre um único brasileiro que não seja empregado destas empresas e que defenda a volta do regime estatal na telefonia (com um mercado de telefones fixos alugados a R$350,00, você se lembra?) e você terá realizado um verdadeiro milagre. E isto, se não mencionarmos a péssima qualidade dos serviços das antigas Teles, como as do Rio e da maioria dos outros Estados do Brasil.

Qualidade e preço são fundamentais. Ninguém quer pagar caro por serviços de má qualidade apenas porque a empresa é pública. E a nossa qualidade e o nosso preço não tem sido, nestes últimos tempos, dos melhores do mercado. Isto é fato.

Para ser pública, no entanto, é preciso ainda mais que qualidade e preço. É preciso resgatar a "razão de ser pública". Somos a única agência do Governo Federal presente em todo o território nacional e os nossos carteiros visitam 80% dos domicílios brasileiros todos os dias.

Isto precisa significar algo mais que atendimento alternado nos bairros da periferia, contra nenhum atendimento domiciliar nos bairros realmente pobres. Precisa significar mais que um Banco Postal que impõe uma tarifa de R$3,80 ao aposentado e o faz esperar em filas enormes, às vezes até sob o sol quente. Precisa significar atendimento decente naquelas comunidades nas quais temos apenas uma AGC ou um antigo PC que, em alguns casos, se parece mais com um botequim de beira de estrada, isto se não vender realmente cachaça. Precisa significar relações de trabalho mais transparentes, com respeito aos direitos básicos do trabalhador, como um plano de carreiras bem definido e locais de trabalho adequados, por exemplo.

Não adianta insistirmos no monopólio, ficarmos atemorizados a cada matéria publicada em jornais de grande circulação, culparmos a ABRAED pelas ações na justiça, se o cidadão brasileiro não souber responder a uma única pergunta: porque preciso de uma empresa pública de Correios?

E pelo que vejo, ou respondemos rápido a esta pergunta, ou muito em breve não será mais necessário pensarmos na resposta.

Ulysses Valadão
Associado ADCAP/MG

 


Você está recebendo este e-mail por estar cadastrado nos Boletins ADCAP
© 2003-2006 - ADCAP - Associação dos Profissionais de Nível Superior e Técnicos da ECT